
Por Rodrigo Cintra
Hoje li em uma postagem do brilhante amigo e professor Osvaldo Agripino de Castro Junior que anualmente o Brasil paga US$ 6 bilhões em frete marítimo para o exterior, já que não temos mais uma frota dedicada ao Longo Curso, salvo um ou outro navio que eventualmente escala um porto estrangeiro. Vou focar no transporte de carga conteinerizada, porém não podemos nos esquecer das cargas a granel (sólido e líquido) e das demais cargas não conteinerizadas.
O CAPEX atual para a aquisição de um navio porta-contêineres novo com capacidade de 5.000 TEUs, que é mais ou menos o tamanho médio dos navios em atividade no mercado, está variando entre USD 60 e 80 milhões. O OPEX de um navio desse porte é por volta de USD 10 mil por dia. Estamos falando de um feeder regional. Se formos pensar em um liner de um tamanho relevante, de 10.000 TEUs, por exemplo, estamos falando de um CAPEX entre USD 130 e 150 milhões, com OPEX entre USD 15 a 20 mil por dia.
Hoje há liners no mercado de até 24.000 TEUs. Temos mão de obra qualificada e reconhecidamente entre as melhores do mundo para operar os navios. Temos grandes empresas de navegação cujos navios arvoram a nossa bandeira. Temos arranjos legais que permitem que tenhamos navios de armadores brasileiros arvorando bandeira estrangeira. Não faltam opções. Eu nem estou entrando no mérito de construir no Brasil e/ou tripular com brasileiros sob CLT, pois essa é uma outra discussão para a qual há gente bem mais competente que eu para levantar e argumentar. Estou me atendo a "construir o navio ao custo X e operá-lo ao custo Y". O que será que falta para o Brasil, que movimentou através de navios em 2023, entre exportações e importações, mais de 7 milhões de TEUs, ao menos iniciar a discussão da reconstrução de sua frota de Longo Curso? #MarinhaMercante


