terça, 06 de outubro de 2026
19/05/2025

Brasil precisa priorizar a manufatura na relação com a China


O estreitamento da relação comercial entre o Brasil e a China precisa vir acompanhado de um protagonismo da nossa indústria de transformação, que hoje está em enorme desvantagem na balança comercial com o país asiático. A chamada indústria manufatureira – que engloba as atividades de transformar matérias-primas e insumos em produtos intermediários ou finais – é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Embora represente apenas 14,4% do PIB nacional, a manufatura responde por 47,6% das exportações de bens e serviços do país, por 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento, e por 25,6% da arrecadação de tributos federais.

Esses dados ilustram a importância da indústria de transformação para o desenvolvimento do país e mostram que a agropecuária não pode ser a única protagonista na relação com a China. Esse setor tem fundamental importância para o Brasil. Não se trata de reduzir a participação do agro, mas de ampliar o leque de atração de investimentos para a indústria da manufatura e de buscar espaço para que o nosso produto entre no mercado chinês.

A China foi o principal destino das exportações brasileiras em 2024, com US$ 94,4 bilhões, o que significa 28% do que exportamos no ano passado. O país asiático foi também a principal origem das nossas importações, com US$ 63,6 bilhões, o equivalente a 24,2% do que importamos. No entanto, quando falamos da indústria de transformação, a balança está longe, muito longe do equilíbrio: temos um déficit de R$ 45 bilhões entre o que vendemos e o que compramos de bens industriais.

O crescimento sustentado da China aumenta a demanda por produtos agropecuários, minerais e insumos industriais, favorecendo especialmente os setores de commodities no Brasil, mas também há espaço para o produto manufaturado. Precisamos de uma estratégia consistente e arrojada para abrir mais espaço para o produto de maior valor agregado da indústria brasileira na China.

Reafirmo. A indústria brasileira precisa ganhar espaço na relação bilateral com a China. As oportunidades estão surgindo, mas é imprescindível que o governo brasileiro impulsione políticas industriais e priorize a manufatura para equilibrar a balança comercial de produtos manufaturados, hoje muito desfavorável ao país.

Uma estratégia é focar em inovação, qualidade e diferenciação de produtos, em vez de competir apenas pelo preço. Precisamos investir em design, branding e atendimento especializado para agregar valor e criar nichos de mercado onde a simples vantagem de custo não é determinante. Além disso, a adoção de tecnologias avançadas de automação e gestão da produção, bem como a busca de parcerias comerciais mais amplas, fortalecerão a nossa competitividade.

Precisamos atrair investimentos produtivos da China, de forma que a presença asiática não se baseie apenas em exploração do nosso mercado para consumo de bens, mas em encadeamento produtivo, de forma que a parceria contribua para a neoindustrialização do Brasil e para a integração das nossas empresas a cadeias mais complexas e tecnológicas.  

Recentemente, atraímos empresas chinesas do setor automotivo e de eletrônicos na Bahia, em Goiás e no Amazonas. Esse movimento é essencial, mas ainda mais importante é garantir o encadeamento produtivo de forma que peças e equipamentos sejam fabricados no Brasil. A instalação de polos de pesquisa e desenvolvimento e a criação de novos parques fabris com parceiros chineses no país, como anunciados durante a visita do presidente Lula à China recentemente, precisam ganhar escala e integrar, irrevogavelmente, a agenda de negociações entre os países.

Outro exemplo do que o Brasil precisa nessa relação bilateral é o acordo que prevê a instalação do grupo Windey Energy Technology Group Co. no campus do SENAI CIMATEC, na Bahia. A parceria busca soluções em energia eólica, hidrogênio verde e sistemas de armazenamento de energia em baterias, com inovação aplicada e investimento para a instalação de fábricas de turbinas eólicas e sistemas para armazenamento de energia em baterias. Essa é mais uma medida que pode fortalecer a cadeia produtiva nacional e contribuir para a geração de empregos.

Podemos e devemos fabricar máquinas agrícolas em vez de importar esses equipamentos na China, como também precisamos explorar cada vez mais o nosso potencial para atender a elevada demanda mundial por minerais críticos, especialmente no contexto da transição energética.

A atração de Data Centers também é uma outra oportunidade que bate a nossa porta. Temos enorme disponibilidade de energias renováveis e podemos desenvolver em conjunto com parceiros comerciais tecnologias como super baterias para serem usadas em polos tecnológicos. Muitos países, como a China e os EUA, usam pequenas termelétricas para abastecer os Data Centers, enquanto nós temos condições de fazer centros de dados realmente verdes com energia totalmente renovável.

A ampliação do uso de políticas industriais ativas pós-pandemia e a recente guerra tarifária provocada pelos Estados Unidos mostraram ao mundo a extrema necessidade de os países protegerem e fortalecerem suas indústrias, sob o risco de perderem espaço e serem engolidos pelas tecnologias e investimentos de outras economias. Nesse cenário, precisamos manter diálogo aberto com países que querem acordos e relações de ganha-ganha.

O anúncio esta semana de acordos de cooperação entre Brasil e China, assinados durante visita do presidente Lula a Pequim, preocupa setores da indústria brasileira. Os investimentos chineses em infraestrutura são bem-vindos, mas não podemos abrir mão de produzir e exportar para a China, em detrimento de comprar produtos manufaturados chineses – o que enfraquece a indústria brasileira.

A baixa capacidade de agregação de valor no Brasil pode ser evidenciada pela realidade de que vamos exportar etanol para a China transformar em combustível da aviação e revender para o mundo. Esse não é o caminho. Precisamos ter capacidade e tecnologia para produzir e vender o produto final.

Os empresários industriais brasileiros entendem que o Brasil corre o risco de deixar a indústria da manufatura em segundo plano diante das oportunidades de estreitamento do comércio com a China. Precisamos aproveitar essa onda. Caso contrário, quem perderá será a indústria nacional.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na CNN Brasil, no dia 19 de maio. 

REPRODUÇÃO DO ARTIGO - Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Indústria têm entre 4 e 5 mil caracteres e podem ser reproduzidos na íntegra ou parcialmente, desde que a fonte seja citada. Possíveis alterações para veiculação devem ser consultadas, previamente.

Por: Ricardo Alban

Da Agência de Notícias da Indústria



Blog

VOA + SC: voos regionais em Santa Catarina começam em novembro e passagens já estão à venda
A retomada da aviação regional em Santa Catarina segue em contagem regressiva para o início das operações. O voo inaugural do programa VOA + SC está marcado para 3 novembro entre as cidades de Florianópolis e Joaçaba. Todas as rotas, frequências e horários foram definidos e a venda de passagens já está disponível. O serviço será operado pela Azul Conecta e tem passagens com valores entre R$ 315,00 e R$ 815,00. Os voos iniciam em 3 de novembro e a venda das passagens é feita exclusivamente pelo site www.voeazul.com.br. O programa foi lançado pelo governador Jorginho Mello em agosto deste ano.
 
“Dez cidades estão envolvidas nesta primeira etapa do Programa, diminuindo o tempo de deslocamento entre as cidades do interior com a Capital do estado. O aeroporto HUB é Florianópolis e a partir dele, os interessados poderão se conectar com o Brasil e com o mundo. Outro diferencial do programa é que o valor das passagens inclui, serviço de bordo e o despacho gratuito de bagagem de mão e uma mala até 23 quilos”, explica o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral.
 
A escolha sobre os dias e horários dos voos levou em consideração a infraestrutura dos aeroportos, com base nos equipamentos e investimentos realizados pelo Estado e as condições climáticas de Santa Catarina. Em discussões com a operadora do serviço, a Azul Conecta, foram definidos voos partindo da região Litoral no início do dia, ampliando para o Meio-Oeste e Extremo-Oeste.
 
As rotas do Programa VOA + SC buscam dar uma opção de mobilidade dentro do estado. Blumenau, Caçador, Correia Pinto, Criciúma/Forquilhinha, Joaçaba, Joinville, Lages e São Miguel do Oeste terão voos para Florianópolis. Também será possível voar entre Joinville e Jaguaruna e entre Correia Pinto e São Miguel do Oeste.
 
Os usuários do Aeroporto de Florianópolis, poderão ficar na cidade, ou se conectar com voos nacionais e internacionais. Os passageiros de São Miguel do Oeste terão opção de usar o Aeroporto de Correia Pinto para conexão com o Aeroporto de Congonhas. 
 
Confira como ficam as rotas, horários e valores:
Segundas-feiras
 
Florianópolis > Joinville – 7h00 – R$ 315,00
Joinville > Jaguaruna – 8h20 – R$ 450,00
Jaguaruna > Joinville – 10h30 – R$ 450,00
Joinville > Florianópolis – 12h15 – R$ 315,00
Florianópolis > Correia Pinto – 13h55 – R$ 315,00
Correia Pinto > São Miguel do Oeste – 15h15 – R$ 500,00
São Miguel do Oeste >  Correia Pinto – 17h40 – R$ 500,00
Correia Pinto > Florianópolis – 19h25 – R$ 315,00
Terças e Quintas-feiras
 
Florianópolis > Joaçaba – 9h30 – R$ 450,00
Joaçaba > Florianópolis – 11h25 – R$ 450,00
Florianópolis > Blumenau – 13h30 – R$ 315,00
Blumenau > Florianópolis – 14h45 – R$ 315,00
Florianópolis > Forquilhinha – 16h10 – R$ 315,00
Forquilhinha > Florianópolis – 17h35 – R$ 315,00
Quartas e Sábados 
 
Florianópolis > Caçador – 9h25 R$ 450,00
Caçador > Florianópolis – 11h25 – R$ 450,00
Florianópolis > Lages – 13h30 – R$ 315,00
Lages > Florianópolis – 15h00- R$ 315,00
Quartas-feiras
 
Florianópolis > Joinville – 16h40 – R$ 315,00
Joinville > Florianópolis – 18h00 – R$ 315,00
Sextas-feiras
 
Florianópolis > Correia Pinto – 8h00 – R$ 315,00
Correia Pinto > São Miguel do Oeste – 9h20 – R$ 500,00
São Miguel do Oeste >  Correia Pinto – 11h45 – R$ 500,00
Correia Pinto > Florianópolis – 13h30 – R$ 315,00
Florianópolis > Joinville – 15h10 – R$ 315,00
Joinville > Jaguaruna – 16h30 – R$ 450,00
Jaguaruna > Joinville – 18h40 – R$ 450,00
Joinville > Florianópolis – 20h25 – R$ 315,00
Universidade Gratuita amplia atuação profissional na rede de Assistência Social de Itajaí
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania passa a contar com profissionais vinculados ao programa Universidade Gratuita. Entre as áreas de formação dos profissionais que atuarão nos serviços está a Psicologia, com atuação definida de acordo com a demanda de cada serviço.
 
A iniciativa amplia as possibilidades de atuação das equipes e aproxima profissionais do trabalho desenvolvido junto à população. Para os participantes, também representa a oportunidade de exercer a profissão e aplicar os conhecimentos adquiridos durante a graduação.
 
A atuação dos profissionais contribui para fortalecer os serviços oferecidos pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, ampliando a estrutura disponível para o atendimento à população e transformando o investimento realizado na formação acadêmica em benefício para a comunidade.
 
O Universidade Gratuita é um programa do Governo de Santa Catarina que contribui para o custeio da graduação. Depois de formados, os beneficiados cumprem uma contrapartida ao Estado, que pode ocorrer por meio da prestação de serviços à população. Em Itajaí, essa atuação passa a contribuir diretamente com os serviços oferecidos à comunidade.
Refis 2026 permite regularização de débitos com até 100% de redução em juros e multas
Os contribuintes que possuem débitos com o Município de Itajaí podem aderir ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis 2026) até o dia 30 de novembro. A iniciativa possibilita a regularização dos débitos com condições diferenciadas de pagamento e redução de até 100% dos juros e multas, dependendo da modalidade de pagamento escolhida.
 
Pessoas físicas e jurídicas que possuem débitos tributários e não tributários com o Município, inscritos ou não na dívida ativa, podem participar do programa. O Refis 2026 também contempla dívidas que já estejam ajuizadas.
 
Todo atendimento do programa está concentrado na Praça do Cidadão, no prédio da Prefeitura de Itajaí. Mesmo que o contribuinte possua uma dívida ajuizada, não precisa procurar outro setor da administração municipal.
 
Para identificar a situação do seu débito, o contribuinte passa por uma triagem ao chegar na Praça do Cidadão. Nos casos de dívidas ajuizadas, o atendimento é direcionado para a equipe da Procuradoria Geral do Município (PGM), que está fazendo o atendimento no mesmo local, e é responsável por todo procedimento e orientação para a realização da negociação.
 
Para consultar os débitos, verificar o desconto disponível e conhecer as possibilidades de parcelamento, o contribuinte pode procurar diretamente a Praça do Cidadão ou entrar em contato pelo WhatsApp da Prefeitura de Itajaí, no número (47) 3341-6000.
Editora Bittencourt