sábado, 01 de agosto de 2026
05/08/2025

Banco Central diz que manteve juros por cautela com tarifa dos EUA


O Banco Central (BC) justificou, nesta terça-feira (5), que a decisão de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, tomada na semana passada, foi motivada por cautela diante das incertezas no cenário internacional, especialmente após o anúncio do chamado “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta manhã, destaca que a elevação das tarifas comerciais norte-americanas traz impactos setoriais relevantes e pode gerar consequências mais amplas para a economia brasileira, dependendo do desenrolar das negociações. “O Comitê acompanha com atenção os possíveis impactos sobre a economia real e sobre os ativos financeiros”, diz o documento.

Na semana passada, o governo de Donald Trump formalizou a imposição de uma tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros, alegando, entre outros fatores, que o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo perseguido pelo Judiciário brasileiro.

Segundo o BC, o cenário externo se tornou mais incerto, e a autoridade monetária optou por adotar uma postura de prudência. “O Copom deve preservar uma postura de cautela”, afirmaram os diretores da instituição.

Além dos fatores internacionais, o Banco Central apontou que os vetores inflacionários internos seguem adversos. Há pressão no mercado de trabalho, expectativas de inflação desancoradas e projeções de preços elevadas. Mesmo com sinais de moderação no ritmo de crescimento, a atividade econômica permanece resiliente.

O Copom enfatizou que é necessário manter uma política monetária significativamente contracionista por um período prolongado para reequilibrar a relação entre oferta e demanda e garantir a convergência da inflação à meta. “O arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial desse processo”, diz o documento.

A ata também ressalta a importância da política fiscal no enfrentamento dos desafios econômicos. Para o BC, ações fiscais que ajudem a reduzir o prêmio de risco podem contribuir para o controle da inflação. “A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que afeta a percepção sobre a sustentabilidade da dívida”, avaliou.

O Banco Central ainda seguirá monitorando o repasse do câmbio para os preços, após um período recente de forte volatilidade, além de manter atenção às expectativas de mercado para a inflação — ponto que, segundo o órgão, gera desconforto entre os diretores. (confira aqui a íntegra da justificativa do Banco Central)

https://www.bcb.gov.br/content/copom/atascopom/Copom272-not20250730272.pdf



Editora Bittencourt